Uma reviravolta política tem chamado a atenção na cidade de Eunápolis, desde o início do quarto mandato do prefeito Robério Oliveira, em janeiro de 2025. O ex-vereador e advogado Jota Batista, conhecido por sua postura combativa e por quase duas décadas de oposição ferrenha ao atual prefeito, emergiu como um inesperado defensor das pautas do executivo municipal. Com uma trajetória marcada por embates históricos com Robério, Jota Batista parece ter mudado de lado, levantando questionamentos sobre os motivos dessa guinada e o impacto de sua influência no cenário político local.
Jota Batista, que foi vereador por dois mandatos consecutivos entre 2013 e 2020, construiu sua reputação com discursos afiados e uma oratória contundente, sempre na oposição ao grupo político de Robério Oliveira. O racha entre os dois teve início ainda em 2005, quando Jota assumiu como vice-prefeito na gestão de Robério, mas a aliança durou pouco. Nos quase vinte anos seguintes, tornaram-se adversários declarados. No entanto, o cenário mudou drasticamente em 2025. Com sua esposa, Arilma Batista, atualmente em seu segundo mandato como vereadora, Jota tem utilizado suas redes sociais para apoiar iniciativas do prefeito, invertendo completamente sua postura histórica.
Um dos primeiros episódios que marcaram essa nova fase ocorreu em janeiro de 2025, quando circularam informações de que o Hospital Regional de Eunápolis seria terceirizado por meio de um projeto de lei enviado à Câmara de Vereadores. Jota Batista foi rápido em sair em defesa do prefeito, classificando a notícia como “fake news” e afirmando que não havia nenhum projeto de lei nesse sentido. De fato, não houve envio de projeto, mas o prefeito optou por decretar estado de calamidade pública no hospital, o que lhe permitiu contratar serviços sem licitação ou aval legislativo específico. Posteriormente, a administração do hospital foi transferida à empresa IGH, confirmando a terceirização – o que levanta dúvidas sobre a precisão da defesa de Jota, já que o resultado final corroborou os rumores iniciais.
Nesta segunda-feira, 10 de março de 2025, Jota Batista voltou às redes sociais para comentar outra decisão polêmica de Robério Oliveira: o envio de um projeto de lei à Câmara para revogar sete leis aprovadas em dezembro de 2024, na gestão da ex-prefeita Cordélia Torres (UB). Essas leis concediam benefícios a servidores públicos concursados, como gratificações de produtividade e adicionais de periculosidade para diversas categorias, incluindo fiscais municipais, agentes de trânsito e engenheiros. No vídeo, Jota classificou as leis como “fake news legislativas”, uma “casca de banana” deixada pela gestão anterior para prejudicar a administração atual.
Segundo ele, as leis violariam o artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, que estabelece o teto salarial do serviço público, além de contrariarem a Lei de Responsabilidade Fiscal por falta de previsibilidade orçamentária. “A ex-prefeita Cordélia, que nunca teve afeto pelos servidores, enviou essas leis ao apagar das luzes do seu governo, gerando encargos sem fundamento orçamentário”, disparou Jota, defendendo a revogação como uma medida de correção de ilegalidades.
Apesar da veemência de sua argumentação, a postura de Jota Batista não passou incólume às críticas. Ele afirmou que a Câmara aprovou as leis de 2024 com “boas intenções”, acreditando na legalidade dos projetos enviados por Cordélia. Contudo, ignora que o legislativo possui comissões e assessoria jurídica própria – contratada, – para avaliar a constitucionalidade das propostas. Curiosamente, sua esposa, Arilma Batista, era vice-presidente da Mesa Diretora em 2024, o que coloca em xeque a narrativa de que os vereadores foram pegos desprevenidos. Jota, com sua experiência jurídica e política, não mencionou o papel de sua esposa na aprovação das leis que agora critica.
Além disso, ao alegar falta de previsibilidade orçamentária para os benefícios, Jota omitiu que a legislação permite ao executivo remanejar até 80% do orçamento municipal de forma legal, o que poderia viabilizar os pagamentos sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Críticos apontam que sua defesa parece alinhada aos interesses do prefeito, sem oferecer alternativas para preservar os direitos dos servidores.
A postura de Jota Batista em 2025 tem sido interpretada como a de um “assessor informal” de Robério Oliveira. Em nenhum dos episódios polêmicos do início deste mandato – como a terceirização do hospital ou a revogação das leis – ele criticou o executivo ou sugeriu que membros oficiais do governo viessem a público esclarecer os fatos. Sua mudança de posicionamento levanta a pergunta inevitável: quem mudou, Robério ou Jota? Seria essa uma aliança pragmática, motivada pela influência de Arilma na Câmara, ou uma transformação mais profunda na visão política do ex-vereador?
Com sua habilidade retórica e histórico de combatividade, Jota Batista tornou-se uma peça-chave para Robério Oliveira neste início de mandato, ajudando a moldar a narrativa pública em favor do prefeito. Contudo, sua credibilidade também é posta à prova, especialmente entre os servidores públicos que veem seus benefícios ameaçados. Enquanto defende pautas do executivo, Jota insiste que apoia os funcionários, mas dentro dos “parâmetros da legalidade”. Resta saber até onde essa nova aliança resistirá às tensões políticas e às expectativas da população de Eunápolis.
Diante dessa reviravolta, o futuro dirá se Jota Batista conseguirá manter sua influência como uma voz relevante ou se sua guinada será vista como uma troca de princípios por conveniência. Por ora, ele segue no centro do tabuleiro político, reacendendo velhas rivalidades e gerando novas interrogações.
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