Em uma cidade estruturada pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o bom funcionamento da administração pública depende do cumprimento das prerrogativas legais que regem cada esfera. O Executivo, liderado pelo prefeito, só comete ilegalidades ou deixa de atuar em benefício da sociedade quando o Legislativo, responsável por fiscalizá-lo, se mostra omisso ou corrupto. Sem uma vigilância efetiva dos vereadores, o gestor municipal encontra terreno fértil para desvios, evidenciando que a qualidade da gestão pública está intrinsecamente ligada à postura do poder legislativo local.
Embora um prefeito possa envolver-se em atos de corrupção, a existência de um Legislativo majoritariamente íntegro pode mudar esse cenário. Quando os vereadores agem com seriedade, instaurando investigações e exigindo transparência, o político que comete crimes pode ser responsabilizado por seus atos ilegais. Esse processo de accountability (prestação de contas) é um pilar essencial das democracias e depende da disposição do Legislativo em cumprir seu papel fiscalizador. Assim, a corrupção do Executivo não é inevitável, mas sim um reflexo da falha ou da presença de contrapesos funcionais dentro do sistema.
Contrariando esse ideal, uma prática generalizada nas cidades brasileiras revela a fragilidade desse equilíbrio: em muitas Câmaras de Vereadores, a maioria abandona a função de fiscalizar o Executivo em troca de benefícios pessoais. Esses favores vão desde a nomeação de familiares e cabos eleitorais na prefeitura até a aceitação de propinas para ignorar irregularidades. Ao se tornarem aliados do prefeito em vez de seus fiscalizadores, esses vereadores transformam o Legislativo em uma extensão do Executivo, comprometendo a democracia e perpetuando um ciclo de corrupção que prejudica diretamente os interesses da população.
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