
O prefeito de Eunápolis, Robério Oliveira, nomeou mais 124 pessoas para cargos de comissão nesta quarta-feira (26), somando-se às 86 contratações realizadas no sábado (22), totalizando 210 novos servidores em menos de uma semana. Os decretos mostram que muitos dos nomeados são parentes e apoiadores de vereadores, reforçando a percepção de alianças entre o Executivo e a maioria do Legislativo, custeadas com recursos públicos. O impacto financeiro mensal será de R$ 310.000,00 apenas em salários-base, mas, considerando vantagens de até 100% aplicadas em nomeações anteriores, o valor pode alcançar R$ 620.000,00.
No dia 13 de março, a Câmara de Vereadores aprovou a revogação de sete leis de 2024, sancionadas na gestão da ex-prefeita Cordélia Torres (UB), que beneficiavam funcionários públicos concursados. A justificativa apresentada foi a falta de recursos financeiros do município para manter esses benefícios. Contudo, as recentes nomeações em massa para cargos de comissão contradizem esse discurso, evidenciando que a administração tem priorizado aliados políticos em vez dos servidores concursados. Em grupos de WhatsApp ligados a políticos, incluindo vereadores, é notório que as indicações atendem a pedidos dos edis, com os nomeados sendo, em sua maioria, cabos eleitorais e familiares.
Um aspecto ainda mais controverso é a retroatividade das nomeações. Apesar de anunciadas no fim de março, elas foram registradas como válidas desde o dia 3 do mesmo mês, mesmo havendo evidências de que muitos dos nomeados não trabalharam desde então. Essa prática motivou uma denúncia ao Ministério Público, que agora investiga suspeitas de ilegalidades. A representação solicita que o órgão convoque secretários e funcionários concursados das secretarias envolvidas para esclarecer se os 210 nomeados efetivamente prestaram serviços desde a data retroativa, aumentando a pressão sobre a gestão municipal.
As contratações expõem uma contradição gritante: enquanto a prefeitura alega dificuldades financeiras para valorizar os concursados, destina verbas significativas a aliados políticos, com salários e vantagens generosas. As denúncias ao Ministério Público e a insatisfação popular colocam Robério Oliveira sob escrutínio, enquanto a população cobra explicações sobre o uso do dinheiro público. O caso sugere que a falta de recursos nunca foi o verdadeiro obstáculo, mas sim uma justificativa para privilegiar interesses políticos em detrimento do funcionalismo concursado.
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