
Como uma sociedade pode se defender quando o Legislativo, que deveria ser contrapeso e fiscalização, age como linha auxiliar do Executivo e aprova quase tudo sem debate profundo? Quando a maioria dos parlamentares se torna “base” permanente do governo, o plenário deixa de ser espaço de confronto de ideias e passa a funcionar como homologador de decisões prontas. Isso enfraquece a democracia local, porque reduz a transparência, encurta o debate público e impede que projetos potencialmente danosos sejam barrados, corrigidos ou sequer discutidos com a seriedade que a população merece.
O problema se agrava quando se observa o custo da estrutura: manter 17 vereadores e 68 assessores sai caro para o contribuinte. Cada vereador recebe R$ 17.387,00, além de cargos comissionados que incluem dois assessores de R$ 1.660,00, um assessor técnico parlamentar de R$ 2.095,78 e um chefe de gabinete de R$ 3.687,27. Em tese, esse aparato existe para representar a sociedade e enfrentar as pautas que mais doem no dia a dia — saúde precária, educação com falhas, infraestrutura deficiente e serviços públicos que não entregam o mínimo esperado. Quando o retorno prático não aparece, a sensação é de que a população paga duas vezes: nos impostos e na ausência de proteção institucional.
E nada simboliza mais a quebra de compromisso do que encerrar o ano — ou votar em qualquer período — aprovando aumentos e criações de tributos com valores considerados abusivos, ampliando o arrocho sobre quem já vive no limite. Se o mandato foi concedido pelo voto para defender o interesse coletivo, alinhar-se automaticamente ao Executivo e apoiar “pacotes” que atingem o bolso do cidadão é, no mínimo, uma distorção do papel do vereador. Por isso, mais do que indignação momentânea, é fundamental que a sociedade registre, acompanhe e não esqueça os nomes e as votações de quem aprovou o aperto no bolso da população para 2026.
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