
A divulgação feita pelo deputado federal Neto Carletto sobre a indicação de uma ambulância do SAMU para Eunápolis virou alvo de ataque da imprensa ligada à atual gestão do prefeito Robério Oliveira (PSD). Em publicação, a mídia governista classificou o conteúdo como “fake news” e atribuiu à secretária de Saúde, Lívia Souza, a afirmação de que o município teria sido contemplado, por meio da Secretaria de Saúde, com três equipamentos junto ao Ministério da Saúde — argumento usado para tentar esvaziar a participação do parlamentar na solicitação.
O que chama atenção é que a energia mobilizada para disputar a autoria de um equipamento acontece em meio a reclamações recorrentes pela falta do básico na rede municipal. Entre os exemplos apontados estão a ausência de insulina regular — com relatos de pacientes sem acesso ao medicamento desde dezembro na unidade do Dinah-Borges —, além de falhas estruturais e descontinuidade de serviços, sobretudo na área odontológica, seja por falta de ar-condicionado nas salas, ausência do profissional dentista ou falta de insumos.
Enquanto a gestão e sua base midiática tentam “provar” quem tem mérito pela ambulância, cirurgias eletivas seguem suspensas há mais de oito meses, ampliando filas e o sofrimento de quem aguarda procedimentos. Soma-se a isso a insatisfação com o transporte do TFD: há queixas de vans que quebram durante as viagens, deixando pacientes desassistidos e em situação de vulnerabilidade fora do município, o que reforça a cobrança por planejamento e garantia mínima de atendimento.
Nas redes sociais, Neto Carletto divulgou ofício para sustentar que formalizou a solicitação do equipamento ao Ministério da Saúde. Mas o episódio evidencia um ponto incômodo: se a atual gestão precisa transformar a chegada de uma ambulância em troféu político — e acionar sua mídia para disputar “méritos” — é porque faltam resultados concretos e melhorias que realmente importam, visíveis e permanentes para a população. Em vez de uma batalha por narrativa, a sociedade cobra solução para medicamentos, cirurgias, transporte de pacientes e funcionamento regular das unidades.

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