Eunápolis, no extremo sul da Bahia, amanheceu mais uma vez em luto neste domingo, 23 de fevereiro de 2025. Uma adolescente de 16 anos foi assassinada durante uma festa no bairro Alecrim I, um crime que escancara a vulnerabilidade dos jovens em uma cidade marcada pela violência e pela negligência de seus governantes. Gestores como Robério Oliveira, em seu quarto mandato iniciado em 2025, Cordélia Torres (2020-2024), e outros que passaram pelo comando municipal são frequentemente apontados como responsáveis por não investirem no futuro dos eunapolitanos, deixando um rastro de homicídios, criminalidade crescente e ausência de políticas públicas em áreas cruciais como esportes e ações sociais. O que será necessário para transformar essa realidade?
Robério Oliveira, que já governou Eunápolis em três mandatos anteriores (2005-2008, 2009-2012 e 2017-2020) e retomou o poder em 2025, é uma figura central na política local. Apesar de sua longevidade no cargo, sua gestão é criticada por priorizar eventos festivos, como o Pedrão, enquanto investimentos em educação, segurança e juventude permanecem escassos. Cordélia Torres, que liderou o município entre 2021 e 2024, chegou com promessas de renovação, mas seu governo foi marcado por polêmicas, como a tentativa de privatizar o hospital regional, e poucos avanços em políticas preventivas contra a violência.
Gestores mais antigos, também contribuíram para um padrão de administração que privilegiou obras visíveis em detrimento de projetos de longo prazo. “Os prefeitos vêm, fazem praças e asfaltos, mas esquecem da nossa juventude. Cadê o legado para o amanhã?”, questiona dona Rosa, moradora de Eunápolis há décadas.
O assassinato da adolescente no Alecrim I é mais um capítulo de uma tragédia recorrente. Eunápolis já foi classificada como uma das piores cidades do Brasil para os jovens viverem, com índices de violência que a colocaram no topo de rankings nacionais em anos passados. Segundo o Atlas da Violência, enquanto a média brasileira de homicídios era de 31,6 por 100 mil habitantes em 2017, Eunápolis frequentemente superava esse número, especialmente entre a faixa etária de 15 a 29 anos. “Nossos jovens estão morrendo ou matando. É um ciclo que ninguém quebra”, lamenta o Senhor Pedro, outro morador de Eunápolis que chegou na cidade da década em 1995.
A falta de oportunidades é um combustível para essa crise. Sem acesso a educação de qualidade ou atividades que os mantenham longe das ruas, muitos jovens acabam cooptados pelo crime organizado, que encontra terreno fértil na cidade.
Esportes e ações sociais: O vazio que custa vidas
Eunápolis: A pior cidade para os jovens?
Um Novo Capítulo?
Veja abaixo os dados da violência no Brasil em 2023, onde Eunápolis ocupa o 10º lugar no ranking da violência.
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