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A fala do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, durante coletiva em Santo Antônio de Jesus, causou forte repercussão. Ao comentar sobre a superlotação nos hospitais estaduais, ele afirmou que recebe relatórios da secretária de Saúde informando que “tem gente nos corredores”, e respondeu dizendo: “Deixe. Peça para o Ministério Público vir me consultar, para eu poder conversar com o MP.” A declaração veio acompanhada da afirmação de que 90% dos pacientes nas macas e cadeiras não deveriam estar ali, atribuindo o problema a falhas na atenção municipal básica.
A declaração foi classificada como insensível por opositores. ACM Neto criticou o governador afirmando que “pessoa que vai ao hospital não está indo fazer turismo, está indo para sobreviver”, destacando que a fala ignora o drama real vivido por quem depende do SUS na Bahia.
Regulação lenta que mata — A fala do governador reacendeu o debate sobre a longa espera na fila de regulação do Estado. Pacientes graves, em busca de cirurgias, UTIs e exames de alta complexidade, chegam a esperar semanas ou meses para conseguirem atendimento na rede estadual — tempo que muitas vezes o corpo não suporta. Nesse percurso doloroso, não são raros os casos de mortes enquanto famílias aguardam a liberação de vagas, especialmente em regiões mais distantes da capital.
Embora Jerônimo atribua a superlotação aos municípios, especialistas afirmam que o gargalo é estrutural, fruto da incapacidade do governo estadual em absorver a demanda e organizar o fluxo da rede de saúde. O quadro se agrava em períodos de alta sazonal, como surtos de dengue, quando corredores se tornam improvisados em enfermarias e a dignidade do paciente fica em último plano. A fala do governador, longe de tranquilizar a população, acabou revelando a fragilidade de um sistema que já não esconde mais suas macas pelos cantos.
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