
Eunápolis enfrenta há mais de 20 anos um ciclo de desgaste institucional e de má reputação política, com constantes menções negativas na imprensa local, estadual e nacional. O caso mais emblemático é o do atual prefeito Robério Oliveira, que acumula quase 13 anos à frente da administração municipal, somando três mandatos anteriores e a eleição para um quarto mandato em 2024. Desde seu primeiro mandato, Robério esteve envolvido em uma série de processos movidos pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual, com condenações que incluem decisão transitada em julgado — o que, teoricamente, o tornaria inelegível.
Mesmo com condenação por improbidade administrativa, Robério conseguiu disputar as eleições de 2024 após obter uma liminar que suspendeu temporariamente os efeitos de sua inelegibilidade. No entanto, em 7 de julho de 2025, ele sofreu mais uma derrota judicial. A desembargadora federal Daniele Maranhão Costa, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, revogou a liminar anteriormente concedida ao reconhecer a decadência da ação rescisória ajuizada por sua defesa. Com isso, foi determinada a retomada do cumprimento da sentença condenatória, restaurando sua inelegibilidade.
A decisão chama ainda mais atenção por ter partido da mesma magistrada que havia, em momento anterior, concedido a liminar que possibilitou sua candidatura. Agora, com o reconhecimento do prazo legal expirado — dois anos após o trânsito em julgado da condenação —, a Justiça considera que não há mais fundamento jurídico para suspender os efeitos da sentença. Esse cenário evidencia as brechas da legislação eleitoral, que ainda permite candidaturas baseadas em liminares questionáveis, mesmo diante de condenações definitivas por improbidade.
A permanência de Robério Oliveira no comando do município escancara um problema recorrente: o uso do aparato jurídico para se manter no poder, enquanto a população convive com uma gestão instável e com um prefeito mais ocupado em se defender nos tribunais do que em governar. Até quando Eunápolis suportará viver sob uma liderança que deveria estar inelegível e afastada da vida pública, mas insiste em permanecer à frente da máquina pública, mesmo sob condenação? O momento exige seriedade e compromisso com a ética e com o interesse coletivo.
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