
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados têm intensificado esforços para consolidar uma base sólida no Senado Federal, mirando as eleições de 2026 como um marco decisivo para garantir uma maioria de direita na Casa. Atualmente, o bloco conservador já exerce influência significativa, com cerca de 60 dos 81 senadores alinhados a pautas de centro-direita e direita, incluindo partidos como PL, PP, Republicanos e União Brasil. Desses, ao menos 34 são considerados diretamente ligados ao bolsonarismo, segundo projeções internas do PL, e a meta é ampliar esse número para próximo de 48 cadeiras na próxima legislatura, o que daria ao grupo controle político expressivo.
A eleição de 2026 será um momento-chave, pois renovará dois terços do Senado (54 cadeiras), oferecendo uma oportunidade única para a direita reforçar sua hegemonia. Em 2022, o bolsonarismo já demonstrou força ao eleger 20 dos 27 senadores em disputa, incluindo nomes como Damares Alves (Republicanos-DF), Marcos Pontes (PL-SP) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS), muitos deles ex-ministros de Bolsonaro. Hoje, o PL possui a maior bancada da Casa, com 14 senadores, e planeja lançar candidaturas estratégicas em 2026, como Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em São Paulo e Michelle Bolsonaro (PL) no Distrito Federal, além de apoiar aliados como Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para reeleição. A estratégia inclui formar chapas duplas competitivas em cada estado, combinando nomes “bolsonaristas raiz” com figuras de centro-direita para maximizar as chances de vitória.
Analistas apontam que a direita tem vantagens estruturais para alcançar essa maioria. O sucesso eleitoral do PL e de partidos aliados nas eleições municipais de 2024, somado ao favoritismo do eleitorado conservador em regiões como Sul, Sudeste e Centro-Oeste, fortalece as projeções otimistas. Uma planilha elaborada pelo PL, com participação do senador Rogério Marinho (PL-RN) e do presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, prevê um aumento de pelo menos 14 cadeiras na base bolsonarista, aproveitando a saída de senadores de esquerda e centro com mandatos encerrados em 2027. Se esse cenário se concretizar, o bloco conservador poderia atingir os 48 senadores estimados, ultrapassando o limite de 41 votos necessário para formar maioria simples e influenciar diretamente a agenda legislativa e até mesmo articulações como impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A esquerda, liderada pelo PT, que hoje conta com apenas 9 senadores, tenta reagir. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), chegou a propor um projeto de lei (PL 4629/2024) para alterar as regras eleitorais, limitando o voto a apenas um candidato por eleitor em 2026, na esperança de garantir pelo menos uma das duas vagas em disputa por estado ao segundo mais votado — frequentemente um nome progressista. A proposta, porém, enfrentou resistência e foi abandonada após críticas de casuísmo, evidenciando o desespero do campo governista diante da ascensão conservadora. Para o PT, nomes como Humberto Costa (PT-PE) e Rogério Carvalho (PT-SE) devem buscar reeleição, mas a escassez de candidaturas competitivas em estados-chave limita as chances de reverter o cenário.
Se a direita alcançar essa maioria em 2026, o impacto será histórico. Um Senado dominado por bolsonaristas poderia não só eleger um presidente da Casa alinhado à pauta conservadora em 2027, mas também alterar o equilíbrio de forças com o STF e o Executivo, especialmente em um eventual segundo mandato de Lula ou de um sucessor de esquerda. Enquanto Bolsonaro segue inelegível até 2030, sua influência como articulador político permanece intacta, e o Senado se tornou sua principal aposta para moldar o futuro do Brasil a partir de uma legislatura marcadamente conservadora.
Veja abaixo quem são o senadores do PL em exercício
Senadores do Partido Liberal (PL) atualmente em exercício no Senado Federal, considerando a 57ª legislatura (2023-2027). Ressalto que a composição pode mudar devido a licenças, trocas de partido ou outros eventos, mas esta é a situação atual em 23 de fevereiro de 2025:
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Carlos Portinho (PL-RJ)
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Carlos Viana (PL-MG)
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Eduardo Gomes (PL-TO)
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Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
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Jaime Bagattoli (PL-RO)
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Jorge Seif (PL-SC)
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Magno Malta (PL-ES)
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Marcos Pontes (PL-SP)
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Marcos Rogério (PL-RO)
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Rogério Marinho (PL-RN)
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Romário (PL-RJ)
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Wellington Fagundes (PL-MT)
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Wilder Morais (PL-GO)
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Zequinha Marinho (PL-PA)
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