O ato de votar é, em essência, um dos pilares mais poderosos da democracia. É a ferramenta que permite ao cidadão moldar o destino de sua comunidade, delegando a alguém a responsabilidade de representá-lo e trabalhar por melhorias coletivas. No entanto, o que acontece quando o eleitor, ciente de um histórico de promessas não cumpridas e benefícios que nunca chegam, insiste em depositar sua confiança no mesmo político que já provou ser a raiz de muitos dos problemas? Esse é um dilema que revela não apenas falhas na memória coletiva, mas também uma perigosa teimosia que pode custar caro – mais precisamente, quatro anos de arrependimento tardio.
Não é raro vermos cidades estagnadas, onde os serviços básicos permanecem precários, as ruas continuam esburacadas e as oportunidades de progresso se dissipam como fumaça. Nessas situações, muitas vezes o dedo acusador aponta para o gestor público, aquele que, eleito com promessas grandiosas, entrega pouco ou nada. O espantoso, porém, é que uma parcela significativa da sociedade, mesmo conhecendo esse retrospecto, escolhe repetir o voto. Seja por apatia, manipulação ou uma esperança cega de que “dessa vez será diferente”, o resultado é o mesmo: a perpetuação do ciclo de estagnação.
Quando o novo mandato começa e as promessas novamente se mostram vazias, o arrependimento bate à porta. Mas, nessa hora, já é tarde. O voto, uma vez dado, não pode ser retirado. A cidade terá que suportar mais um período de gestão ineficaz, enquanto os problemas se acumulam e a qualidade de vida segue em declínio. É um preço alto a pagar por uma decisão que, em retrospectiva, poderia ter sido evitada com uma análise mais cuidadosa do passado.
A lição aqui é clara: o eleitor tem o poder de mudar o rumo de sua cidade, mas esse poder vem acompanhado de responsabilidade. Insistir em escolhas comprovadamente equivocadas não é apenas um erro individual – é uma sentença coletiva. Cabe à sociedade, então, romper com essa inércia, olhar além das palavras bonitas e exigir um compromisso real com o bem comum. Porque, ao final, os quatro anos de sofrimento não são apenas o reflexo de um político despreparado, mas também de um voto que preferiu ignorar a história.
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