
Robério Oliveira caminha para completar 11 meses de governo em seu quarto mandato à frente de Eunápolis. Experiente e articulador no tabuleiro político, o prefeito sempre soube construir alianças e sustentar uma base. Mas sua trajetória também é marcada por disputas e reveses no Judiciário, além de uma retórica que se repete desde a primeira passagem pelo poder, quando foi eleito em 2004, tomou posse em 2005 e permaneceu por dois mandatos consecutivos, de 2005 a 2012.
No terceiro mandato, em especial, a rejeição aumentou durante a pandemia, período em que a gestão adotou medidas duras — como restrições ao comércio, toque de recolher e aplicação de multas — executadas com o suporte de aliados e estruturas administrativas. O desgaste daquele período acabou refletindo nas urnas: Robério perdeu a eleição seguinte para Cordélia Torres, encerrando o ciclo no comando da cidade antes de retornar ao cenário político.
O que mais chama atenção, porém, não é apenas o perfil do gestor — é a conveniência histórica de uma Câmara de Vereadores que, na prática, costuma oferecer a sustentação necessária para que erros se repitam. Não por afinidade ideológica, como a própria cidade sabe, mas por acordos e benefícios que, em diferentes momentos, ficaram evidentes: distribuição de cargos comissionados, acomodações políticas e uma maioria que frequentemente troca o papel de fiscalização pelo de conivência. E quando a Câmara abre mão de seu dever, o resultado recai direto na vida real: saúde, educação e infraestrutura travadas, além de queixas recorrentes sobre o atendimento público — da falta de insumos e demora por procedimentos, até relatos de desassistência em unidades básicas, como o Dinah-Borges, onde problemas se acumulam entre ausência de profissionais, falta de materiais e estrutura inadequada.
Nesta semana, a quase totalidade dos vereadores deixou explícito o caminho que escolheu ao aprovar 100% de remanejamento no orçamento, entregando ao Executivo um poder amplo para mexer em verbas — algo que, na prática, reduz o controle político e enfraquece a transparência. O Portal SulBahia observa: quando o parlamento abre mão do freio, a cidade segue sem volante. E a pergunta que fica não é retórica: o que esses mesmos vereadores esperam encontrar quando precisarem, eles ou suas famílias, do mesmo serviço público que hoje é tratado com descaso? Na próxima terça-feira, 16 de dezembro, em sessões extraordinárias, a Câmara pode dar mais um passo nessa direção: o Executivo enviou seis projetos, sendo três com aumento de impostos, e se a maioria repetir o comportamento de “carimbo”, a população — mais uma vez — corre o risco de pagar a conta sem sequer ter sido ouvida.

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