O caos no Hospital Regional de Eunápolis não para de se agravar. Pacientes esperam há semanas por cirurgias ortopédicas e urológicas, gestantes enfrentam atraso em exames essenciais e profissionais da saúde estão com salários atrasados após o fim do contrato da OS IGH. Mas, diante desse cenário, o vereador Negão da Água parece ter escolhido outro alvo: os colegas parlamentares que cumprem o papel de fiscalizar.
Na quarta-feira (10), os vereadores Jorge Maécio e Renato Bromochenkel estiveram no hospital para ouvir denúncias de pacientes. Conversaram com dezenas deles, alguns aguardando há mais de 30 dias por cirurgias de fêmur, braço, próstata e punho. Uma grávida chegou a perder o bebê esperando por uma ultrassonografia, revelando a gravidade da situação. Após a visita, Jorge e Renato gravaram um vídeo em frente à unidade, relatando os fatos apurados.
No mesmo dia, Negão da Água também esteve no hospital, acompanhado de Bruna Suzart, filha do vereador Ubaldo Suzart. Em frente à farmácia da unidade, gravou um vídeo afirmando que as denúncias eram “tudo mentira, tudo fake news” e que “a verdade prevalecerá”. A tentativa de desmoralizar a fiscalização dos colegas, no entanto, soou como afronta ao sofrimento de pacientes e servidores.
Não satisfeito, o vereador voltou à carga nesta quinta-feira (11). Da tribuna da Câmara, repetiu o discurso do dia anterior, novamente acusando os colegas de faltar com a verdade. Mais uma vez, preferiu defender o prefeito “de unhas e dentes”, reforçando sua fidelidade política ao grupo há 13 anos, em vez de cobrar soluções para o drama vivido dentro do hospital.
A insistência de Negão da Água em desviar o foco do problema mostra um desprezo preocupante pela função do vereador. Ele recebe R$ 17.300 mensais para representar a população, mas tem atuado como escudo político do Executivo. Enquanto homens, mulheres e crianças aguardam atendimento digno, o parlamentar prefere atacar quem fiscaliza e blindar o prefeito.
O papel de um vereador não é negar o sofrimento da sociedade, mas sim fiscalizar, propor soluções e cobrar respostas. Ao transformar a tribuna e as redes sociais em palanque de defesa do governo, Negão da Água confirma que sua lealdade está mais voltada ao grupo político do que ao povo que o elegeu.
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