
A saúde pública em Eunápolis vive uma crise persistente que se estende há anos, refletida na falta de medicamentos de uso contínuo, dificuldade na marcação de consultas especializadas e exames, além da demora em cirurgias. Nos postos de saúde e, principalmente, no Hospital Regional, as queixas são recorrentes: superlotação, atraso em procedimentos e precariedade no atendimento. Para muitos moradores, garantir o básico se tornou um desafio diário, agravado pelo peso da influência política, já que, segundo relatos, alguns cidadãos só conseguem acesso após recorrerem ao apoio de autoridades locais.
Um dos pontos mais delicados é a terceirização do Hospital Regional. A medida foi adotada pela gestão municipal sob promessa de oferecer atendimento digno e humanizado. No entanto, após seis meses de contrato com o Instituto de Gestão e Humanização (IGH), encerrado em 18 de agosto, a empresa desistiu de continuar a administração. Funcionários denunciam atrasos salariais e incertezas sobre direitos trabalhistas, expondo a fragilidade do modelo adotado pela prefeitura.
No plano de governo do prefeito Robério Oliveira para 2025–2028, a saúde aparece como área prioritária, com compromissos de “humanizar o atendimento”, “ampliar especialidades médicas” e “garantir a continuidade dos insumos e medicamentos”. O documento prevê a cobertura de 100% do programa Estratégia Saúde da Família, ampliação da assistência farmacêutica, informatização das unidades básicas de saúde e fortalecimento do Conselho Municipal de Saúde.
Outro ponto destacado no plano é a formação de parceria com o Governo do Estado para terceirizar a gestão do Hospital Regional de Eunápolis, com a promessa de priorizar a humanização e a qualidade do atendimento. Além disso, estão previstas ações como ampliar convênios para cirurgias eletivas, expandir especialidades médicas, modernizar os sistemas de regulação, implantar redes de saúde mental, urgência e atendimento ao idoso, além de reforçar a rede de urgência e emergência, inclusive no SAMU. O plano completo pode ser consultado no link: Plano de Governo 2025–2028 de Robério Oliveira.
A discrepância entre o que foi apresentado em campanha e a realidade enfrentada pela população levanta dúvidas sobre a efetividade das medidas da atual gestão. Enquanto pacientes relatam a busca incessante por serviços básicos de saúde, a crise evidencia a necessidade de soluções estruturais que superem as falhas de planejamento e execução, garantindo, de fato, o direito constitucional a um atendimento digno.
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